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O que é um vinho low cost? Entrevista a André Ribeirinho do Adegga.com

Há medida que o ano avança o termo “low cost” generaliza-se nos mais diversos sectores. Recentemente, a José Maria da Fonseca anunciava o lançamento de dois vinhos de baixo custo e fazia notar a importância de estar presente neste segmento de mercado.

Para percebê-lo melhor, entrevistámos quem André Ribeirinho do Adegga, um portal de partilha e troca de conhecimentos sobre vinhos.

O que é um vinho low cost?
Vinhos low cost são vinhos que têm preços geralmente abaixo dos 3 euros.

Um vinho por ser considerado “baixo custo” tem menor qualidade / preço que outros mais caros?
A qualidade de um vinho é questão difícil de analisar. O que posso dizer é que é difícil que um vinho “low cost” tenha o mesmo tipo de características que levam a maioria das pessoas a dizer que um vinho é muito bom. Não tem necessariamente falta de qualidade mas também não é um vinho muito interessante.

As marcas de vinhos estão a adoptar o modelo de produção idêntico a outros sectores para produção destes vinhos? Cortes em custos de produção, de distribuição, etc?
O processo de produção de vinho é complexo e tem muitas fases. Há algumas fases em que é possível tentar garantir certas propriedades aos vinhos que os poderão tornar mais interessantes. Por exemplo, na apanha da uva é possível fazer uma escolha selectiva e com isso garantir alguns parâmetros de qualidade na produção de um vinho. No entanto, essa escolha exige tempo e pessoal qualificado que custa dinheiro, o que acaba por fazer subir o preço do vinho. A utilização de barricas de madeira (onde o vinho pode estagiar durante anos) tem custo bastante elevados mas poderá muitas vezes adicionar boas características a um vinho.

Com vinhos com grandes produções é possível ter estes passos mais com custos mais reduzidos. Mesmo assim, dificilmente o preço baixa muito. Só para dar mais um exemplo, o conjunto rolha, garrafa e rótulo pode muito facilmente ultrapassar 1 euro de custo.

António Soares Franco, presidente da JMF, afirma que o mercado de vinhos de baixo custo representa mais de 50% do mercado de vinhos de qualidade. Concorda com esta afirmação?
Não tenho dados de nenhum estudo de mercado mas é um dado muito falado na indústria. Os vinhos com preços entre 3 e 5 euros representam em alguns locais (como supermercados) mais de 75% do volume de negócios.

O mercado de vinhos low cost está a crescer ou sempre existiu com outras designações?
O mercado de vinhos low cost sempre existiu. Desde os tempos que podíamos levar os garrafões à adega que existe a possibilidade de termos vinhos com preços muito acessíveis. Talvez não existissem as técnicas que hoje está disponíveis e que permitem produzir vinhos de muito baixo preço com um mínimo de interesse.

Para terminar, sugira um vinho “low cost” que surpreenda pelo preço baixo e boa qualidade. Português, claro.
Brancos: Muralhas de Monção (2009) e Prova Régia (2009). Tintos:
Courela e Loios.